domingo, 26 de outubro de 2008

Fugaz Melodia

Queria poder escrever canções
Que falassem sobre as coisas da vida
Mas me perco nos tons, semitons
De harmonias sem ritmo ou melodia

A verdade é que não escrevo
O desejo da fuga, realidade invertida
De músicas sem fim, sem começo
Sem que haja sequer poesia

Não tento camuflar o que penso
do efêmero
do simples
do preço
A que se vende nenhum desafio

Prefiro falar como quem canta
E cantar como quem fala
Escrever como quem vive
Viver como quem escreve
Sentir o belo que existe
Naquilo que encanta e não é breve...

Leo Sousa.

sábado, 25 de outubro de 2008

Árvore da vida - Homenagem a minha vovó, Dona Mariqueza...

Quando percorri aqueles trilhos
Com o barulho das pedras a se desprenderem
Senti o cheiro do vento,
O farfalhar da plantação
Escondendo a seca de uma outra estação
E trazendo as lembranças até mim

Faz tempo que não a vejo mais
Sinto falta do olhar sincero, das palavras suaves
De um gesto matriarcal que me santificava
Elogios amorosos que me erguiam
Para um mundo diferente do meu

Quanta tranqüilidade sentia naquela voz
A chamar para o dever do lar
Uma voz repetida que ainda fica guardada
Na mente de alguém que acordou da ilusão

Sem o cheiro da comida preparada
Na manhãzinha bem cedo
Conversas nas alturas
Reuniões que interrompiam o sono

Frestas de luz
Refletidas no meu rosto
Cacarejos e latidos vagos
Que Recreio mais belo!
Quantos sorrisos e vontades eternas!

Tudo está marcado
Na infância que ainda vive em mim
A subida pelos galhos
A colheita daquela frutinha
Tão vermelha, verde, amarela
Da cor de um sonho

Espero encontrar-te
Quer seja pelos trilhos
Ou mesmo pelas estradas
Através do vulto das pastagens
Ao som da árvore da vida
Que deixa cair suas folhas
E novamente em outra estação
Retorna a florescer
Assim como você...Vovó...

Leo Sousa.


Ps:. "A minha vó, com muito carinho e saudades sempre.